quarta-feira, 3 de julho de 2013

Coração Esmiuçado

Seria apenas mais uma noite mergulhada no copo de café. Buscando inspiração a cada esquina da qual pudesse refletir sobre a vida. Segurava na mão o casaco, na outra a xícara, mas o que queria mesmo era arrancar o coração, revira-lo de cabeça para baixo e chacoalhar até que pingasse dele ao menos um resquício de inspiração. Os dias estavam sendo muito difíceis, o cachorro já nem latia mais ao ver sua dona, apagada por culpa de um sentimento que a deixava tão branca quanto a cortina da sala. Estava escurecendo, o café amargo descia cortando a garganta e quando chegava no estômago não tinha um fim. Pensou em trocar pelo vinho, ou pela cerveja mas logo desistiu da ideia, levando em consideração o tempo que demoraria até chegar ao que ela tanto queria, até lá o sono já teria tornado-se seu maior inimigo. Voltou a tomar aquele liquido preto agonizante. Encheu os olhos de lagrima ao lembrar. Queria correr, queria escrever. E conseguiu. No papel, empoeirado e cheio de pingos d`água ela começou a descrever a sua biografia. Tantas edições de livros e ela nunca havia pensando em repassar ao público sua pequena história de vida, e em como seria bom desabafar e escrever sua trajetória. 300 paginas contando os seus sonhos, medos, angustias, realizações e "novos sonhos" já que o coração agora esmiuçado tinha sido preparado para novos horizontes. Naquela noite, botou o cachorro dormir na sua cama, ele latiu como quem se alegra ao ver o dono, e os ambos se puseram a dormir. Tirando a pirâmide que se formara na cozinha, de tantas xícaras de café, o amanhã prometia ser melhor que o hoje!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tirado do báu...


Canto uma canção diferente hoje, busco nas palavras algo que os meus gestos não conseguem alcançar. Deixo meu coração totalmente livre para bater conforme o que sinto e mantenho nos meus pensamentos apenas desejos bons. Não procuro viver um sonho perfeito... Mas sim, eu vivo! Detesto me dividir em duas, mesmo quando for preciso. Não é necessário economizar tempo, quando se existe uma jornada toda pela frente. Na verdade, acredito que cada coisa estará no seu lugar, na hora certa.
Hoje canto uma canção mais calma, delicadamente moldada na tranquilidade escondida nesse imenso mistério da vida. Porque por mais complicada que ela possa ser, sempre existe uma paz, abandonada no fundo do nosso baú de esquecimentos. E sempre surge em nós uma necessidade absurda de tirar de lá, toda a paz que um dia nos foi dada. Podendo transformar milhares de dias tristes, na maior de todas as aventuras que poderíamos ter experimentado.
Hoje, hoje sei que minha canção é a mais linda que já pude inventar... Que já pude ouvir, sentir e compartilhar com todos. Sem pressa, continuo tirando do fundo do baú, coisas que irão fazer a minha canção se tornar cada vez mais pura e tranquila.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

...


Um dia apenas, e simplesmente tudo mudou de lugar. Bastou eu conhecer aquele sorriso, que meu coração já se encantou. Não quis experimentar mais nada, nem palavras, nem gestos, nem beijos... Bastava apenas aquele sorriso. E eu queria ele, em todos os momentos felizes da minha vida, em todos os próximos dias, e em tudo que fosse possível ser compartilhado com ele. Não pensei na ausência de palavras que aquele sorriso poderia me proporcionar, nem nas frases mal elaboradas. No calor da hora, a única coisa que me fez ficar conectada, foi a doçura daquele instante em que vi o sorriso mais lindo de todos que eu havia conhecido.
Fiquei meia hora, hipnotizada. Pensando em dormir e acordar com ele, em ir ao cinema e tomar sorvete em algum verão com ele, em um jantar a luz de velas com direito a uma conversa até altas horas. Em enxugar suas lágrimas quando algo de ruim acontecesse, em abraça-lo nas noites mais frias, em mergulhar num mar de coisas lindas para viver juntos. Sem pressa, vivendo um dia de cada vez, mas com a aquele sorriso, aquele... Tudo isso seria possível.

E hoje, eu parei para perceber, que na verdade tudo que eu já vivi, e toda a felicidade que já me foi dada, e ainda é... Foi graças àquele sorriso.

Por favor lindo sorriso, permaneça comigo o resto dos meus dias, e me traga sempre a felicidade de tê-lo comigo...!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Preces ao coração da gente

Dia destes resolvi fazer uma pausa em tudo, tudo mesmo. Posicionei-me ao chão, como quem vai fazer uma prece, e então perguntei: “Ei, coração! Você está aí?” Ele silenciou e começou a transferir imagens de boas lembranças a minha mente. Percebi a necessidade que temos de dar razão à voz do coração e conversei com ele como se fossemos amigos íntimos, e não é que descobri que somos mesmo? Sabe aquele amigo de infância que sempre te estendeu a mão, e nunca te deixou cair? Pois é, e o bom é que ele pode ser bem mais que isso. Porém, é preciso escutá-lo atenciosamente para então entender, que não existe essa coisa de ir pela razão ou pelo coração, porque os dois atuam em conjunto. Sempre unidos, como corpo e alma.
            É engraçada, a maneira como confundimos as coisas: paixão, amor, amizade... A todo o momento tudo se transforma, aqui e ali, fora e dentro da gente, do coração da gente. A amizade transforma-se em paixão, e da paixão cresce um grande amor. Ou a amizade vira logo de uma vez um amor guardado por anos. Ou o melhor disso tudo, quando a gente menos espera... O amor vem forma de uma pessoa com qualidades inesgotáveis, prontinha e feita para você em todos mínimos detalhes. Aí você entende o valor de fazer preces ao coração, rezar e pedir a ele coisas que se pedem ao divino, a um ser supremo. É em minha opinião o nosso Deus interior é o coração que pulsa lenta e rapidamente, dependendo da situação e do que se sente.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Escrever É...

Nada me deixa mais confortável que as palavras. Calmas e delicadamente elaboradas em textos quase incompreensíveis para os leitores e até para mim. É... Apesar de ser fácil entender seus significados no dicionário, quando unidas elas tornam-se um tanto complexas – quando engolidas doces ou amargas – mas complicadíssimas. Tenho apenas uma vaga sensação de estar sendo bem interpretada.
            Tem gente que vomita palavras, verbalmente. E tem os que preferem o decorrer de várias páginas literárias, e em forma de suaves poemas soletram suas verdades. Claro que, como eu, muitos escritores já penetraram em nossas mentes uma porção de falsidades, de sentimentos inexistentes. É tão injusto isso, mas infelizmente não tem como admitir tudo, mesmo quando mergulhados nesse mundo de pura nostalgia. As palavras são tão mais traidoras do que quem as escreve – elas traem - o tempo todo.
            Estamos continuamente, tentando descobrir dentro de nós, algumas pequenas falhas, uma luz assim como aquela no fim do túnel, um pedacinho – por mínimo que seja – de uma delicada beleza inexistente na superfície da qual nos encontramos. A gente se esconde por tanto tempo, e torna aparecer. Mas, quase sempre se volta ao mesmo lugar, e é tão desesperador, viajar tanto tempo dentro de nossas almas e não descobrir nada além de uma complexidade incrivelmente absurda. Por isso, faz-se isso sem cessar jamais e sem pressa. Porque aonde há pressa, há imperfeição.
            As palavras deveriam exprimir não somente o que queremos verdadeiramente dizer, mas o que sentimos profundamente em nossos corações tão frágeis, e, que em ininterruptas horas continuam sentindo e sentido, e querendo dizer mil coisas. Mas por medo, ou por seja lá o que for... Continuam entediados nesse marasmo da vida.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Afiada.


Como faca, pronta para cortar, aqui estou. Afiada em todos os pontos sensíveis e insensíveis desse meu imenso ser. Abro os braços para qualquer coisa da qual eu gosto e me fascina. Nesse meu mundo só cabe coisas das quais eu possa tocar e possa cortar. Sentimentos são válidos, um turbilhão deles. São eles que me fazem a mulher afiada que sou e sem medo. Tem gente que não pede licença para entrar, apenas... Entra. Tem gente que não sente como eu sinto. E aí mesmo que o tempo passe, que a dor seja interrompida por um alguém, eu continuo a cortar o outro alguém. O que já é passado. Mas eu o mastigo, mil vezes, não apenas trinta. Porque é para o gosto não ser sentido – vai que eu gosto? Vai que eu me apaixono pelo gosto do passado obscuro. E isso não se há de querer.

            Eu afio-me nos gestos, nas palavras, no amor, no prazer, e no meu próprio medo – ou exemplificando, nas coisas que faço e sinto. Não apenas no sentido mal intencionado da coisa. Pois todos sabem que uma coisa sempre possui os dois lados. Bom e ruim, o de cima e o de baixo. E a gente sempre prefere o que está em cima, principalmente nós mulheres. Mais perto do divino, mais perto do céu. Do azul que ilumina e cria possibilidades...
            Sinto-me pronta para encarar tudo, tudo mesmo. Qualquer tempestade que vier, vou encarar como uma chuva que refresca o verão - molhando meu velho barco - que afunda e leva junto todos os planos feitos, mas são desnecessários. E não há nada mais justo, do que vislumbrar e apreciar o novo, o que nos faz ter certo medo no começo, mas é intenso e acende em nós um fogo já adormecido. O que afia a faca no bom sentido. Ou o que afia outras coisas pertencentes aqui, dentro de mim... Sonhos, muitas palavras guardadas, milhares de desejos e de ideias para o futuro, um amor incondicional – amor puro e sincero.
            E que o barco se vá, que o passado seja mastigado e esquecido. Que eu possa afiar em mim, tudo que há de bom. E que as pessoas possam ver da mesma maneira que ingenuamente me enxergo: a mulher afiada, de passado esquecido... De futuro incerto, mas que se sente pronta para reinventar sua história quantas vezes achar necessário. E então, sentir-se completa. 

Aquilo que sou, não é aquilo que você vê...

Minha foto
Siderópolis, Santa Catarina, Brazil
Mergulho então nas profundezas da minha alma e tudo parece estar no seu devido lugar: os sentimentos confusos, as gargalhadas que se escondem e estão loucas pra sair, o amor que nunca para de crescer, o amadurecimento contínuo e a esperança de que um dia eu possa desfrutar de tudo isso sem ter medo da minha própria loucura... Acreditar que somos aquilo que pensamos ser ou aquilo que as pessoas dizem, não é o certo. Ninguém sabe quem realmente é, até mesmo quando nossas mãos acompanham nossos pensamentos, não se sabe explicar. Sou aquilo que inventei, aquilo que deixo-me ser, sem medo... Apenas, sou!